Sento, olho pros lados, pego meu caderno e começo a escrever isso aqui. Ao meu redor, roupas sujas, farrapos, latas vazias — e meu inseparável companheiro de viagem dorme como um anjo, lindo, sem se importar com o sol, com a barraca, com as latas ou com a vida.
O caderno já está um pouco gasto. São meses de viagem, algumas anotações inúteis, reflexões em desacordo com a vida. Eu sempre estive em desacordo com a vida.
Talvez eu devesse dormir um pouco mais, como ele, guardar esse caderno e descansar. Não me importar com essas réstias de sol que me trazem pra vida. A vida de verdade, não a vida que eu imagino.
Imaginar, sim, é arte. O resto é vida.
Nunca fui tão livre — livre da vida. E nunca fui tão preso a mim mesmo. Mas não preso à vida; preso a mim, porque imagino, sonho — e sonhar é arte.
Continuo essa viagem para continuar sonhando.
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